Resenha – Trainspotting

Resenha – Trainspotting

Resenha – Trainspotting

Trainspotting é aquele tipo de livro que marca uma geração. Considerado um dos dez títulos que mais influenciaram os jovens britânicos no final do século XX, acabou virando filme em 1996, pelas mãos do diretor Danny Boyle, que fez um excelente trabalho ao captar a essência dos personagens.  E que personagens. Já ouviu falar do tal Sick Boy?

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Sick Boy no filme de 1996

O romance de estreia do autor Irvine Welsh mostra o lado transgressor dos jovens britânicos, frequentadores de pubs locais e festinhas embaladas por drogas pesadas. Rents, Sick Boy, Madre Superiora, Cisne e Seeker emprestam as próprias personalidades para nortear a narrativa. Trainspotting é focado nas pessoas, muito mais do que no caminho que elas percorrem, tanto que o leitor a todo o momento é surpreendido por situações inesperadas, que causam mal-estar e desconforto.

A narrativa é suja, direta e às vezes confusa. Um reflexo muito expressivo do próprio universo dos personagens. Irvine Welsh consegue extrapolar a realidade e fazer o leitor submergir – querendo ou não – no universo imperfeito e chocante de Rents, Sick Boy e companhia. Não é nada agradável, mas a narrativa crua acaba transformando a leitura em uma verdadeira experiência de imersão no cenário proposto pelo autor.

Os diálogos por vezes tornam-se confusos e difíceis de acompanhar. A linguagem é bem solta, parecendo uma conversa de bar, sem floreios, eufemismos e com várias referências da cultura pop. Tudo é muito escrachado e direto. Welsh quis chocar os leitores com a decadência de seus personagens e foi exatamente isso que o transformou em fenômeno cult.

É uma leitura irônica e impactante. Pode não agradar alguns leitores, mas é excelente para quem tem curiosidade pelo cotidiano dos usuários de drogas, além de ser uma ótima forma de sair da zona de conforto. É aquela leitura que ficará marcada na memória do leitor, não por ser extraordinária, mas por chocar e ser um verdadeiro soco no estômago.

A história de Trainspotting, apesar de ser fechada, continua em  “Pornô”, que traz novamente os mesmos personagens, porém uma década depois do primeiro livro.

O título “Trainspotting”, para matar a curiosidade, vem de uma gíria escocesa que significa “algo que é sem sentido e total perda de tempo”. Uma ótima forma de resumir a vida dos próprios personagens, mas não o livro em si.

 

Autor:

Louco por definição, formando em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, músico, compositor, blogueiro, nerd, geek, esposo da @eericarocha, pai da tartaruga tigre d'agua Trash, da salsicha Punk, do boxer Rocky e Atendimento e Planejamento na @lets_talk. Twitter, Facebook e Google+.

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