Resenha: Paralelos – Leonardo Alkmim

Resenha: Paralelos – Leonardo Alkmim

O livro Paralelos já passou pelo Julgado pela Capa. Ainda não conferiu? Então dê uma olhadinha aqui.

Paralelos

Uma leitura que surpreendeu de um jeito ou de outro. A falta de conhecimento prévio do título e também do autor, reservou um oceano inexplorável de expectativas ao longo da leitura.

Alexandre e Vitor são gêmeos, mas têm lá suas diferenças. Embora muito próximos durante a infância, a chegada da adolescência traz momentos conturbados na relação dos irmãos. Tudo muda quando um acidente com o ônibus escolar tira a vida de Alexandre, enquanto Vitor milagrosamente sobrevive. Um evento que nem mesmo o Universo e os seres celestiais conseguem explicar. A partir disso desenvolve-se a narrativa que é uma mistura de ciência e espiritualidade.

No universo construído pelo brasileiro Leonardo Alkmim, os anjos são chamados de Paralelos, seres responsáveis não apenas por guardar os seres humanos, mas manter todo um sistema em funcionamento. Mesmo sendo um assunto bastante explorado pela literatura, o autor ainda assim conseguiu atribuir características próprias e especificas à sua criação.

A impressão inicial é de uma aventura adolescente sem grandes pretensões. No entanto, ao longo da narrativa somos apresentados a conceitos científicos, filosóficos e espirituais tão intrincados, que desarmam e confundem o leitor. Esse pode ser um ponto negativo caso você procure apenas por uma aventura com elementos sobrenaturais. O autor parece utilizar da mesma estratégia de Jostein Gaarder (O mundo de Sofia), quando utiliza um contexto “vulgar” para construir e brincar com temas mais densos.

A explicação para o universo de Alkimim é que religião e ciência são elementos que formam o todo, ou seja, não podem ser separados por conceitos distintos. A ciência explica o plano espiritual e o plano espiritual explica a ciência. Ao mesmo tempo em que essa abordagem é curiosa, também se torna um problema.

O livro peca ao tentar explicar de forma um tanto didática os conceitos abordados. A união de ciência com elementos criacionistas é maçante e confusa. É preciso acionar a suspensão de descrença muitas vezes para acompanhar a narrativa. O detalhamento em excesso torna a leitura cansativa e em dado momento só resta ao leitor aceitar e dar continuidade aos acontecimentos. O que é curioso justamente por ser um dos argumentos utilizados pelos seres “celestiais”: Não precisa entender, apenas faça.

Talvez por trabalhar com conceitos complexos e antagônicos, o universo construído não passe muita confiança.

A certeza, que Alkmim utiliza como estratégia para validar a mitologia de Paralelos, também é o que dificulta a aceitação. Temas que se contrapõem, muitas vezes dotados de grande incerteza, são trabalhados como verdade absoluta. É preciso manter a mente aberta para conecta-los e aproveitar a visão particular do autor. É possível descrever Paralelos como um exercício de conexão de ideias na tentativa de unir ciência e religião em uma lógica comum.

Além disso, alguns pontos importantes podem ser ignorados caso o leitor não tenha conhecimento prévio dos temas abordados. Isso coloca em cheque qual seria a faixa etária do público. Por vezes é uma narrativa puramente adolescente e por outras é um rico emaranhado que explica a vida, o universo e tudo mais.

Leonardo Alkmim, apesar de toda a polêmica entre ciência e religião em Paralelos, mostra-se um bom contador de histórias. Ele conseguiu dar voz própria a cada personagem, construindo personalidades bem distintas. Os capítulos curtos ajudam a amenizar o ritmo da narrativa. A conclusão é precipitada, colaborando com a impressão de que é muito mais importante para o autor explicar as “regras” do seu universo, do que as ações que levam ao desfecho.

Paralelos é um livro curioso, mas que pode incomodar pela contraposição natural entre fé e ciência, que aqui são apresentadas como um só. O trabalho de pesquisa feito pelo autor é até admirável. No entanto, a apresentação do livro não ajuda a entender qual o público-alvo. Será uma aventura adolescente que busca algo mais? Ou um livro adulto que não convence?

Uma mistura inusitada de Jostein Gaarder com Dan Brown, que vale pela sinceridade dos personagens e pela tentativa de conectar assuntos tão controversos.

Autor:

Louco por definição, formando em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, músico, compositor, blogueiro, nerd, geek, esposo da @eericarocha, pai da tartaruga tigre d'agua Trash, da salsicha Punk, do boxer Rocky e Atendimento e Planejamento na @lets_talk. Twitter, Facebook e Google+.

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