Resenha – O Malabarista: Os Melhores Textos de Arnaldo Jabor

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A nostalgia é um presente que você adquire com a idade. Quando era adolescente, eu costumava pensar que gostaria de viver numa obra de Machado de Assis, a fim de observar minha infância à distância, livre de julgamentos momentâneos, apenas envolto sob o prisma da lembrança. Quem fui e onde cheguei antes mesmo de chegar ou ser. Era um pensamento juvenil desprovido de qualquer pretensão, embora pareça o contrário. As minhas dúvidas que me assombravam. Agora percebo com embaraço muitas das decisões que tomei quando possuía meus 14 ou 15  anos. Frutos de relacionamentos fracassados, ou o que presumia ser um fracasso, além da arrogância da juventude que muitos de nós temos o  desprazer de carregar. A honestidade quanto a minha vida, porém, agora de um ponto de vista remoto, fez com que meus textos soassem mais  reais. Afinal, assumo ser muito mais fácil escrever sobre o passado ou considerar o futuro ao invés de desnudar o presente.

Arnaldo Jabor, por sua vez, é uma figura complicada, mas compreensiva. Suas defesas atuais vão de encontro a muitos de seus pensamentos passados – a juventude comunista, os ideais de esquerda. Deixou de ser a figura cínica com o governo para se tornar um pessimista incorrigível e birrento. Escondendo-se numa falsa ótica de que ser “contra tudo” é tomar uma posição. É com uma voracidade indescritível, portanto, que seu novo livro, O Malabarista, toma o leitor, quando o autor decide reviver honestamente suas lembranças, a sua infância, o sonho carioca dos anos 60. Relatando não um presente miserável ou “pessimistamente utópico”, mas algo vivido, com suas próprias lógicas, ânsias, implicações e desgaste. Uma realidade que trouxe o cronista que conhecemos agora. Jabor discorre sobre um passado em que o sexo era crime secreto, onde as pessoas viviam infelizes enroladas em seus casamentos pré-fabricados, falsas sensações e comunicação dissimulada. Uma época que sofreu um grande boom com a revolução sexual, as descobertas do corpo e as compreensões social e individual.

“Mas que corpo?”, como indaga o prefácio do livro. Se continuamos os mesmos através das décadas, se vivemos da mesma maneira que outros viveram. De alguma forma, O Malabarista fala sobre a vida ou o que Jabor conseguiu descobrir sobre ela durante todos esses anos. Em sua defesa, logo no princípio, ele se auto-interroga: como eleger frágeis lembranças para ilustrar uma vida, uma personalidade? A resposta pode deixar fãs do autor admirados, detratores persuadidos e desconhecidos arrebatados. Porque, como um bom malabarista, Jabor julga uma sociedade pelos seus olhos. Uma visão pessoal, claro, mas que soma um pouco mais nesta busca existencial que tantos perseguem.

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Autor:

Louco por definição, formando em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, músico, compositor, blogueiro, nerd, geek, esposo da @eericarocha, pai da tartaruga tigre d'agua Trash, da salsicha Punk, do boxer Rocky e Atendimento e Planejamento na @lets_talk. Twitter, Facebook e Google+.

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