Resenha – A invenção de Hugo Cabret

Resenha – A invenção de Hugo Cabret

A invenção de Hugo Cabret, resenha

Misture livros, filmes e quadrinhos e o resultado é A invenção de Hugo Cabret do autor e ilustrador americano Brian Selznick. Uma deliciosa e inspiradora narrativa que homenageia a 7ª arte através de referências históricas e um inteligente uso de metalinguagem.

A invenção de Hugo Cabret, resenhaHugo Cabret é um livro infanto-juvenil, mas nem por isso você precisa fazer cara feia. O protagonista, que também é título do livro, é um órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 30. Ele herda do pai o impressionante dom para entender o funcionamento de engrenagens e assim consegue se virar consertando e dando corda aos relógios da estação.

Entre esses serviços Hugo se dedica ao conserto de um autômato que o pai encontrara abandonado antes de falecer num incêndio. O menino então tenta resgatar a memória do pai dando vida ao homem mecânico, mas ele precisa de peças e não é nada fácil consegui-las. É nesse momento que o caminho de Hugo Cabret se cruza com o misterioso dono de uma loja de brinquedos, mudando a vida dos dois para sempre.

A história é interessante, mas de longe é o que encanta o leitor mais experiente. O autor em vez usar exclusivamente palavras optou por uma sequência de ilustrações que serve como um storyboard para completar o texto. São fundamentais para que o leitor compreenda a história e dê continuidade à narrativa, quase transformando as próprias páginas do livro numa tela de cinema. A ilustração é parte ativa da história e prevalece ao longo das 533 páginas da edição brasileira.

Selznick utilizou de seu talento como ilustrador para integrar texto e imagens de uma forma brilhante. Razão pela qual “A invenção de Hugo Cabret” acaba virando uma verdadeira experiência. A forma acaba sendo mais interessante que o próprio conteúdo.

Além disso, o conteúdo dessa narrativa traz a curiosa mistura de ficção e realidade, quando o autor decide apropriar-se da figura histórica de Georges Méliès, considerado um dos precursores do cinema. Quem conhece a importância da Méliès terá um prazer a mais ao ler Hugo Cabret.

O ponto crítico do livro é a inocência com o qual os problemas são resolvidos. O que prevalece são as coincidências inseridas para solucionar esses problemas e não criar situações que intriguem o leitor. Isso tira um pouco da maturidade, mas não diminui a inteligência e sagacidade da narrativa.

As invenções de Hugo Cabret é uma viagem delicada e inspiradora pela 7ª arte, recomendada para todos os amantes do cinema e de edições caprichadas de livros. Confira algumas imagens:

“Mas antes de virar a página, quero que você se imagine sentado no escuro, como no início de um filme”.

A invenção de Hugo Cabret, resenha

A invenção de Hugo Cabret, resenha

Autor:

Louco por definição, formando em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, músico, compositor, blogueiro, nerd, geek, esposo da @eericarocha, pai da tartaruga tigre d'agua Trash, da salsicha Punk, do boxer Rocky e Atendimento e Planejamento na @lets_talk. Twitter, Facebook e Google+.

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