Resenha – Guerra dos Tronos

Resenha – Guerra dos Tronos

guerra dos tronos, george r r martin, livro, serie, as cronicsa de gelo e fogo, topoLi em algum lugar que George R. R. Martin, o autor de Guerra dos Tronos, é jogador de xadrez. Se de fato isso é verdade ou não, eu não posso afirmar. Mas aproveitarei o ensejo e farei, aqui, o que julgo ser uma oportuna comparação.

O tabuleiro utilizado por esse antigo jogo de estratégia nos brinda com várias casas, cada qual com sua posição, destaque, vantagens e ameaças. As mais próximas, requerem maior atenção. Enquanto as longínquas são ignoradas e, não raro, caem no esquecimento por parte do jogador.

Mesmo sendo todas importantes, cada uma a seu modo.

No enredo d’As Crônicas de Gelo e Fogo, por sua vez, os territórios criados e apresentados pelo habilidoso escritor seguem uma lógica semelhante. O objetivo é o trono, o xeque-mate. E quem está mais perto de conseguir isso ganha maior urgência, destaque e apelo.

Vê-se maior poder de barganha e interesse em uma possível negociação.

Mais que isso, os territórios definem também as famílias que os ocupam. O frio molda o caráter duro dos Stark e a fé dos pratulheiros da noite. Enquanto o calor define a pujança dos Lannister e embasa a esperança dos distantes Targaryen.

Westeros mostra-se, enfim, como um complexo tabuleiro de peças e intenções.

E por falar nelas, nessas peças, vemos movimentos únicos em cada uma, bem como força e táticas também diferenciadas. O corajoso e justo guerreiro às vezes cede ao habilidoso mentiroso, em uma trama completamente inesperada.

Assim como no xadrez, o livro cria uma gama quase que infinita de possibilidades. Os movimentos não podem ser previstos, até porque o jogo esconde-se na mente de quem o joga, de quem o escreve. E Martin é o único que sabe o que está por vir, que fim espera por essa série e qual será a última figura a ficar de pé.

Alguns movimentos escondem outros, e muito não é o que parece ser.

“Guerra dos Tronos” é um livro político, surpreendente e  muito bem escrito. Narrado na terceira pessoa mas sempre sob o ponto de vista de um personagem, o que contribuí para montarmos mentalmente um mosaico de jogadas.

E talvez seja exatamente por isso eu prefira o nome original da obra, “Game of Thrones”. Simplesmente porque esta obra é menos guerra e muito mais jogo.

Não deixe de ouvir o LivroCast 028 – Guerra dos Tronos

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Autor:

Publicitário e administrador por formação, viciado em livros e um músico mal-compreendido pelos amigos. Responsável pela sessão literária do Lokotopia e pelo LivroCast. Tenta ser sempre eclético e levar todos ao fantástico mundo da literatura. Twitter, Facebook e Google+.

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