Resenha – A Cidade do Sol

Resenha – A Cidade do Sol

A Cidade do Sol de Khaled Hosseini

Sempre que termino a leitura de um livro como A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini, sinto uma forte vontade de ouvir o silêncio, fitar o nada, argumentar comigo mesmo e refletir.

Respirar e refletir.

É um livro bastante chocante, belamente escrito, rico em histórias, culturas, personagens e acontecimentos. Mas, também, muito triste. Principalmente por todas as pinceladas reais inseridas no romance e pela certeza intrínseca de que em algum lugar do mundo, talvez não no Afeganistão ou não com as mesmas palavras narradas, fatos como os apresentados na obra de fato acontecem e se repetem.

Por vezes, por mais vergonha que possa ter ao afirmar isto, tive que conter o choro durante o atropelar incessante de eventos. Assim como, em vários outros momentos, tive que parar, respirar fundo e reunir a coragem necessária para continuar a leitura.

São incrivelmente fortes as emoções que tomam conta de nós ao vermos menções tão claras de como governos e guerras podem destruir a vida de pessoas inocentes – separando irmãos, matando filhos, mães, pais. E é também inaceitável e chocante, por mais que culturas diferentes devam ser respeitadas, a submissão com que a mulher é tratada em alguns países – a falta de horizontes, os maus tratos e a dependência do ser masculino.

É uma obra tão real que chega a ser um livro-retrato de um país antes alegre, mas que, no encalço de sua simplicidade, cedeu a conflitos externos e internos. É tão claro que mais parece um livro-aula, ao versar sobre uma nação antes unida e feliz que embalsamou-se na luta pelo poder e que não consegue mais reerguer-se.

É uma obra, por fim, de rápida e intensa leitura que merece – e precisa – ser lida.

Escute o podcast sobre O Afeganistão de Khaled Hosseini: LivroCast #002.

Autor:

Publicitário e administrador por formação, viciado em livros e um músico mal-compreendido pelos amigos. Responsável pela sessão literária do Lokotopia e pelo LivroCast. Tenta ser sempre eclético e levar todos ao fantástico mundo da literatura. Twitter, Facebook e Google+.

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