Resenha – 1984

Resenha – 1984

Resenha do Livro 1984 de George Orwell

Até onde um livro pode ir? De quantas formas uma história pode ser interpretada? Estas são perguntas que me tomam a mente quando sento para escrever a resenha de hoje, sobre uma obra que me conquistou por completo.

O título em questão é 1984, de George Orwell, pseudônimo do inglês Eric Arthur Blair. E a data futurística para o autor, já há muito ultrapassada por nós, escondia incertezas e medos, revoluções, tecnologias, o próprio crescimento industrial, sociedades inchadas com o número cada vez maior de pessoas e drásticas mudanças comportamentais.

O que estaria por vir então?

Quando escreveu a primeira palavra deste livro de aproximadamente 400 páginas, Orwell não tinha como ter certeza. E esta é uma grande ironia, porque o que pareceu tão ficcional na época é hoje uma releitura perfeita – ainda que exagerada –do modus operandi de uma sociedade voltada essencialmente a frivolidades.

O governo controlador e sem forma; a alienação coletiva; a fábrica de verdades e valores; a manipulação social, a centralização do poder, o descaso da maioria, a falta de incentivo à educação, a indústria do entretenimento e tantos outros casos. Ainda mais simbólica e real é a presença de uma tela em todas as casas, salas e ambientes.

Objeto que, como no livro, é capaz de moldar e uniformizar opiniões e desejos.

Bem verdade que, quando lançado, muitos interpretaram o livro 1984 como uma crítica ao socialismo de Stalin ou aos movimentos fascistas surgidos no séc. XX. Mas nada se compara à atualidade da obra e a sua similaridade com a luta pelo poder e pensamento político ainda vigente no séc. XXI, quando se prova que acesso a informação não é sinônimo de consciência.

Na rotina de Winston Smith, ainda identificamos a burocracia, a influência das mídias e de tudo que se consome e o marasmo que toma a sociedade. Vemos a falta de opinião, a compra de verdades sem a menor reflexão e o quão frágil e indefeso é o homem “baixo” perante os olhos do Grande Irmão.

E aqui cito o Grande Irmão com uma penetrante pena por vê-lo famoso justamente pelo que critica, em mais uma prova cabal de que o homem consome sem questionar-se e é incapaz de identificar ironias.

Por fim, 1984 é um livro forte, fomentador de reflexões impactantes e que com certeza faz o leitor entender de forma diferente o seu mundo. Denso, porém dono de uma leitura instigante, é uma obra que deveria ser lida por todos.

Por todos mesmo.

Não deixe de ouvir o LivroCast 022, podcast sobre o livro “1984”

 LivroCast 022, podcast sobre o livro "1984", de Orwell

Autor:

Publicitário e administrador por formação, viciado em livros e um músico mal-compreendido pelos amigos. Responsável pela sessão literária do Lokotopia e pelo LivroCast. Tenta ser sempre eclético e levar todos ao fantástico mundo da literatura. Twitter, Facebook e Google+.

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